Xantar e discurso lido onte por un integrante da Asemblea comarcal de Causa Galiza en Lugo na Campaña do Dia da Patria
Companheiras e Companheiros:
Nom vou saber como vos agradecer a honra de pronunciar hoje este discurso, neste festa das vésperas do Día da Nossa Pátria, perante vós –as minhas irmãs e os meus irmãos-, precissamente aquí, na Chaira, na terra dos meus devanceiros. Nom podo deixar de vos dizer que, esta bisbarra, tem um fondo significado para mim: topónimos que ecoam desde a lembrança sempre saudosa da minha nenice: Robra, Joibam, Gaibor..., rios coma este ou como o Ladra, onde meu avó quijo aprender-me, sem sucesso nengum, a pescar; a Terra Chá é a pasiagem paradigmática da Galiza na minha memória mais profunda. Como dicia Otero, o 25 de Julho de 1930, no Garcia Barbom de Vigo: É natural, senhoras e senhores, que as minhas primeiras palavras foram adicadas á aldeia. Sempre na Galiza qualquer manifestaçom vidal tem que vir dela (...) O povo labrego e marinheiro soupo sempre o seu dever; namentras os homes de cultura, ou os que se chaman de tais, esqueziam a terra e procuravam um vivir de imitança, o povo guardava-se fiel ao espírito. Trabalhando de sol a sol, aldrajado e servo, nom perdeu a confiança. Cangado em col de probes leiras de centeo cantava as catigas antergas, cada manhã novas de novo orvalho, e pola noite, ao redor dum probe lume de garamatas, em cada fogar latejava a lenda, a imaginaçom, a arte dos celtas inspirados. Neste Dia, nosa primeira admiraçom para o povo.
Mas feita esta consideraçom, de justiça com os meus, cumpre-nos umha reflexom sobre o presente, sobre estes tempos incertos e críticos. Intuimos moitos que isto que chamam crise som os derradeiros degraus dumha escada em cujo remate enxergamos já umha saída definitiva. Nom devemos temer o que haja do outro lado dessa soleira. Nom devemos duvidar em experimentar com todas as chaves que poidam abrir essa porta que hai séculos aguarda por nós. Do outro lado, é certo que se se intue a escuridade e a confusom do desconhecido. Mas isso nom deveria ser um obstáculo para o nosso periplo. Há muito tempo, mais de 150 anos, que orientamos firmemente o rumo; e o magnetismo inesgotável, da libertaçom nacional e social da Galiza, mantém inabalável a agulha do nosso compás histórico. Verdadeiramente nom sabemos o futuro que lhe espera a esta Terra, mas o que sabemos pefeitamente é o que nós esperamos do futuro da Galiza: Um território integro e livre dos cancros que hoje o comem; a possibilidade de trasmitir a língua, dos nossas mães e dos nossos pais, para os nossas filhas e filhos; a reconstruçom da nossa cultura e das formas de vida que nos pertencem como povo. Em resumo, umha sociedade nom patriarcal emancipada de toda forma de dominaçom.
É chocante, por outro lado, o esforço que a sociedade do espectáculo fai para nos denortar e nos desviar. Tem o seu aquel, se nom fosse polos matizes dramáticos que envolve, que disponhendo do monopólio da violência legal, dum sistema educativo, dum potentísimo complexo de méios de comunicaçom; em síntese, que disponhendo dum estado, e de todo o que conleva, os que nos negam como povo, os que ridiculamente proibem a participaçom ‑em competições internacionais‑ das nossas selecções nacionais, sejam os mesmos que têm que se valer dum campeonato de futebol para estimular a exibiçom dos seus símbolos, e para impor a sua odiosa identidade. Nom há, contudo, qualquer problema para nós, patriotas galegas e galegos, com esta questom. Deixouno‑lo mui ben claro a nosa Rosalia, da cujo passamento se cumpre, aliás, neste 2010 o 125 cabo de ano. No nosso património literário ficou, desde entom e para sempre, escrita a verdade que ela nos trasmitiu com este verso: Galiza nom deves chamarte nunca espanhola. Dessa certeza moral, nada nos vai desviar nem o mais mínimo. Absolutamente nada, e menos esta histéria rança do chauvinismo futeboleiro.
Com efeito tem o seu aquel....a sociedade do espectáculo e a violência simbólica com que agrede á consciência colectiva das galegas e dos galegos. Se toda esta léria tem o seu aquel, de baixeza e indignidade, no outro extremo da escala moral estivo e estará, para sempre, alguem que nos deixou –apenas fisicamente- este mesmo inverno: o irmao Antom Moreda. Um exemplo de trajectoria vital galeguista, que faz já para sempre parte desse energia histórica, do que antes falávamos, que magnetiza e orienta a agulha do compás emancipatório que nos guia. O mesmo que estamos dizer de Moreda, vinculado –como é conhecido‑ nos seus últimos anos á Chaira, também poderia ser dito de outras irmãs e irmãos, naturais ou adoptivos destas Terrras de Lugo, que se nos forom antes e que também sentimos connosco nestas vésperas do 25 de Julho: Helena, Joam, Moncho... estarám para sempre na nossa lembrança.
Nom é apenas simbólica, porém, a violência da que este povo é vítima. Dixo Marx que o Estado é a sociedade em acçom. Se isto é certo, nom o é menos que numha naçom como a nossa, privada de Estado, nom lhe cabe mais acçom à sociedade que a resistência. Umha resistência que se fai real, na Galiza, nos centros sociais, como o Mádia, nos meios autogeridos de comunicaçom, na Escola Popular, nas organizações capesinhas, nos organismos anti-repressivos, nos sindicatos, nos movimentos sociais, na mocidade organizada, etc. Um âmbito de resistência, diverso e poliédrico, no que o dogma da legalidade é submetido á razom critica da práxis revolucionária. E contra isto, que poderia semelhar ‑em termos relativos‑ um modesto e humilde contributo à disidência, desprega-se todo um arsenal repressivo por parte do aparelho burocrático-policial espanhol. Neste momento estám abertos 17 processos penais de natureza claramente represssiva, nos quais se encontram envolvidas 51 pessoas como imputadas (algumhas com risco certo de entrar no cárcere); e, polo momento, forom impostas 370 sanções administrativas, de tipo econômico, contra dissidentes. Todas estas pessoas contam com a nossa solidariedade. Epecialmente aquelas e aqueles que, por defender esta Terra, pagam com o melhor das suas vidas e das suas mocidades. A nossa lembrança e, sobretudo, o nosso reconhecimento, especialmente no Dia da Patria, mas também hoje e todos os dias do ano, é para elas e eles: para os presos e para as perseguidas e perseguidos independentistas.
Citei antes unha palavras de Otero Pedraio, e com outras, do mesmo discurso, aproximarei-me do final da minha arenga: Eu nom quero alongar mais a vossa agardança (...) Pro quero dizer‑vos que a festa da Galiza tem a força e a formidável consciência dum juramento, que todos fazemos, nom sobre um livro de leis, senom sobre do futuro, sobre o berce do porvir. (...)
Para rematar, D. Ramom, pedia ao auditório do Garcia Barbom, que erguesem os seus corações para berrar as palavras de ordem. Eu também vos pido isso mismo, mas nom só, erguede também os vossos copos num brinde polo futuro da Nossa Pátria.
Irmãs e Irmãos, berrai comigo:
Viva o Dia da Patria Galega
Viva a luita pola libertaçom nacional e social da Galiza
Denantes mortas que escravas: Viva Galiza Ceive
Praia da Riboira
Baltar - Pastoriça, 2010.
Julho, 17.




