Causa Galiza denuncia o resgate e o custo social que suporá para a maioria social galega
O resgate do Reino de Espanha já é umha realidade apesar das tentativas de Luís de Guindos e Mariano Rajoy de maquilhá-la com eufemismos como “empréstimo” ou “linha de crédito” que ocultam a natureza da intervençom do Estado espanhol por parte da Troika (FMI, BCE e UE). A intervençom dos organismos financeiros e económicos internacionais converte o Estado espanhol num protectorado a efeitos práticos, esvazia ainda mais o Estatuto de Autonomía e dá passo a umha série de negativas consequências sociais que se irám desgranando nas próximas semanas.
O montante total do resgate do sistema bancário espanhol poderia alcançar os 100.000 milions de euros que se injectarám no FROB para que este, por sua vez, os redistribua entre os bancos e caixas “com necessidade” umha vez se culminem as duas auditorias externas. Ainda que se anuncia que 70% do sistema está “a salvo”, dá-se já por certa a injecçom de recursos em Bankia, NovaGaliciaBanco, CatalunyaCaixa e Banco de Valencia, com o que se incrementam as possibilidades de absorçom externa e extinçom definitiva do sistema financeiro galego umha vez “saneado” este.
Juros, condiçons e mentiras
O ministro de Economia Luís de Guindos assegurou que o “empréstimo” nom suporá novas exigências para as economias domésticas e que “nom haverá condiçons de reforma fiscal, macro-económicas nem de gastos”. Por sua parte, o presidente espanhol, Mariano Rajoy, e a Secretária de Estado de Orçamentos Marta Fernández Currás, que nesta semana ainda negava a possibilidade mesma do resgate, figérom declaraçons nesta mesma direcçom tirando ferro ao custo social da operaçom e apresentando-a como umha operaçom limitadamente bancária.
Além do que digam as autoridades, o certo é que o resgate suporá um incremento da dívida do Estado, a possível elevaçom do IVE até 23% seguindo a estela da Grécia ou Portugal, a ampliaçom da idade de reforma, a profundizaçom dos aspectos mais lesivos da reforma laboral para a classe trabalhadora galega, novos cortes nos serviços públicos e o control mais estreito da Troika sobre os gastos da Comunidade Autónoma de Galicia. Todo com o pano de fundo da cessom de soberania estatal e colocaçom do nosso país numha situaçom de indefensom ainda mais acentuada do que a actual.
Mentiras espanholas
O Reino de Espanha, sob governos do PSOE ou do PP, move-se de maneira cómoda na mentira institucionalizada e a vulneraçom sistemática, e normalizada, das suas promessas eleitorais. O Executivo espanhol de José Luis Rodríguez Zapatero negara a existência da crise durante um tempo prolongado do seu mandato. Agora, o de Mariano Rajoy vela através dos meios de comunicaçom o facto de que estamos ante um resgate associado a umha perda efectiva de soberania estatal.
Mais imparcial a respeito da situaçom do Reino, a imprensa internacional categoriza a situaçom como resgate, com umha cessom de soberania que acarreja mais cortes e endividamento. Facto a destacar também é a mansedume com que os espanhóis aceitárom a ingerência internacional nos seus assuntos internos, ao mesmo tempo que se dessatam campanhas de chovinismo de Estado e ofensivas espanholistas contra as naçons galega, basca e catalana.
Galiza: Comunidade Autónoma dum Protectorado
A imposiçom do resgate coloca a soberania estatal espanhola en situaçom crítica, que o é ainda mais para povos como o galego completamente carentes de soberania política. Neste sentido, a autonomia administrativa da CAG, que já estava submetida a processos de desgaste desde Madrid com a fixaçom de teitos de gasto e endividamento e a invasom competencial, sofre com esta medida mais um passo no seu esvaziamento e aprofunda a inutilidade como instrumento institucional para defender os interesses da maioria social galega.
Superar o marco
Se a descentralizaçom administrativa pactuada na Transición já era insuficiente para abordar com efectividade as problemáticas que nos afectam como naçom e como classes populares, os processos de recentralizaçom e esvaziamento competencial das instituiçons autonómicas evidenciam, ainda mais, a insuficiência da actual arquitectura institucional para fazer frente às citadas problemáticas. A utilidade política da Junta da Galiza e do parlamento de cartom estám hoje mais em entredito do que nunca.
Desde Causa Galiza achamos que os factos que estám a acontecer colocam na agenda das prioridades a necessidade de conquistar um novo marco democrático de soberania política e económica. Desta óptica, a definiçom dumha estratégia que ganhe a confiança de amplos sectores da sociedade galega e favoreza a acumulaçom de forças soberanistas e independentistas deve ser urgência por parte dos sectores comprometidos na defesa dos interesses imediatos e estratégicos da maioria dos galegos e galegas.




