Causa Galiza denuncia manipulaçom histórica maciça com motivo da morte de Fraga Iribarne
A morte física do estadista espanhol Manuel Fraga Iribarne acaba de dessatar umha operaçom política e mediática de revisionismo histórico que já se cozinhava nos últimos meses ante a iminência do seu falecimento. A iniciativa popular pola autodeterminaçom Causa Galiza, sem derramar um minuto nesta deleznável figura histórica e política, queremos afirmar, pública e claramente, aquelo que sabem milhares de galegos e galegas e que, hoje, muitos dirigentes que se auto-definem como “nacionalistas” ou “de esquerdas” calárom no que é mais um exercício de cumplicidade com a ocultaçom da história e a negaçom da nossa memória colectiva.
1º Fraga Iribarne foi o máximo responsável político da repressom nalguns dos períodos mais duros do regime militar que entre 1936 e 1975 assolou o nosso País e segou a vida de milhares de galegas e galegos. Um regime que nunca condenou apesar de que este se iniciara com o assassinato de quase todos os membros da Comissom do Estatuto de Autonomia de 1936 e rematara com o do independentista galego Pepe Reboiras em Ferrol. Um regime que sementou a Galiza de miséria, opressom e emigraçom.
2º O deve histórico de Fraga Iribarne com o nosso País nom remata em 1975. O ex ministro fascista é, paradoxalmente, um dos elementos chave na voadura controlada da ditadura militar para construir umha democracia a la española respeituosa com os alçados em armas de 1936 e obediente aos poderes económicos e militares que hoje dominam Europa: unidad indivisible de la patria, negaçom do direito de autodeterminaçom, controlo do Exército sobre o poder civil, propriedade privada dos meios de produçom, preminência da Igreja Católica ainda explícita nestes dias com a recente injecçom de milions de euros do erário público e herdança da monarquia legada por Francisco Franco.
3º A volta de Manuel Fraga à Galiza no período 1989-2005, depois de ficar apartado da política estatal, será recordada polos galegos e galegas do futuro como um negro período histórico. Desde a administraçom regional, Fraga Iribarne procedeu, como “servidor de Espanha” que foi, à deconstruçom sistemática e programada da naçom. Como bom sipaio, Fraga Iribarne executou o programa de destruiçom de sectores produtivos estratégicos acordado por Bruxelas e Madrid e a deterioraçom das nossas condiçons de vida e de trabalho; possibilitou as maiores agressons ecológicas ao nosso território, com o Prestige como buque insígnia destas políticas; agudizou com políticas ad hoc a crise demográfica; acelerou, entre cánticos de galeguismo, o processo de substituiçom lingüística; edificou desde as instituiçons autonómicas um entramado caciquil e empresarial funcional aos interesses espanhóis e participou activamente na repressom de qualquer projecto ou iniciativa nacionalista.
4º Galiza nada deve a Fraga Iribarne. O engano maciço a que estamos submetid@s nas últimas 24 horas, e do que participam PP, PSOE, PCE e incluso, por omissom, a direcçom do BNG, em aberta contradiçom com a opiniom e os sentimentos de milhares de nacionalistas, nom é outra cousa que mais umha expressom da vileza política do regime que nasceu com a Transición Democrática. É falsa a sua condiçom de democrata. É falsa a sua condiçom de galeguista. Lamentamos apenas que Fraga Iribarne nom vivesse o suficiente para responder penalmente polas suas responsabilidades políticas, embora temos a certeza de que, à margem de manipulaçons e falsidades, a história colocará no seu devido lugar umha personagem tam nociva para a Galiza.
5º Causa Galiza vai seguir trabalhando para socializar no nosso País a necessidade de construirmos um marco de autêntica democracia. Democracia que exige como condiçons indispensáveis o reconhecimento do livre exercício do direito de autodeterminaçom e a superaçom definitiva dum quadro jurídico-político gestado entre outros por indivíduos como Manuel Fraga Iribarne. Um marco que vulnera o direito a decidir e, na melhor tradiçom da imposiçom, coloca o Exército espanhol como garante último dumha Unidad de España da que a cada dia menos galegas e galegos queremos participar.





